Há dias em que o chão parece tremer. A notícia que chega, a conta que não fecha, a saúde que preocupa, a casa que ficou quieta demais. O coração aperta e pergunta, em silêncio: onde me esconder quando tudo abala?
Meu irmão, minha irmã: o Salmo 46 nasceu nesta hora. Não para negar o medo. Para confessar, ainda com a voz trêmula: Deus é refúgio e força. Não estamos sozinhos no perigo.
Querido leitor: esta Palavra não é fórmula mágica. Não promete que a tempestade some ao primeiro verso. Ensina a confiar. Na Bíblia da CNBB, o orante diz: Deus é para nós refúgio e força, defensor poderoso no perigo. Confiança, não objeto de poder.
A Igreja reza este salmo na Missa e na Liturgia das Horas, sobretudo quando o povo precisa ouvir que o Senhor está no meio de nós. O mesmo gesto cabe no quarto, na fila do hospital, à beira do leito.
Origem e sentido: Deus é refúgio e força
A tradição liga o Salmo 46 aos filhos de Coré. É um cântico de confiança em meio ao abalo: a terra treme, as águas se agitam, as nações se amotinam — e o povo confessa quem o sustenta. O orante não finge que o perigo sumiu. Declara onde está o refúgio.
Antes de abrir a sua Bíblia, um cuidado de amor. A Bíblia da CNBB numera os Salmos pela tradição hebraica: este poema é o Salmo 46. Na Vulgata, na Bíblia Ave Maria e em muita liturgia, o mesmo texto aparece como Salmo 45 — ou Salmo 45(46). Não são dois salmos. É o mesmo cântico. Se a sua edição diz 45, você está no lugar certo.
«Deus é para nós refúgio e força, defensor poderoso no perigo.» Na linguagem da fé, refúgio não é esconderijo mágico. É a presença de Deus, a quem o coração pode correr. Força não é poder que nós controlamos. É a graça dEle no meio da angústia. O querido leitor que acorda inquieto não precisa de um objeto. Precisa do Senhor.
O salmo tem um refrão que a Igreja guarda: «O Senhor dos exércitos está conosco, nosso refúgio é o Deus de Jacó.» Meu irmão, minha irmã: isto é companhia. Não é garantia de que nenhum mal nos alcance. É a certeza de que Deus não nos abandona quando o chão treme.
No centro do poema, a cidade de Deus: um rio alegra a santa morada; nela Deus está, e ela não poderá vacilar. A Igreja reconhece nesta imagem o povo que Deus habita. Depois vem o convite a contemplar as obras do Senhor, que acaba com as guerras e parte as armas. E a voz de Deus ecoa: «Parai! Sabei que eu sou Deus, excelso entre as nações, excelso sobre a terra.» Parar. Reconhecer. Não correr atrás de solução própria como se Deus fosse ferramenta. Deixar que Ele seja Deus.

Campanha Setembro de oração
Setembro de oração: 173 orações por R$ 14,90
Sob o Nome de Maria e São Padre Pio — só até 30 de setembro. Em outubro o valor volta.
No Evangelho, Jesus acalma a tempestade e diz aos discípulos: por que tendes medo? A Igreja, ao rezar o Salmo 46, reconhece nesse refúgio o rosto de Cristo. Não transformamos o salmista em evangelista: reconhecemos que toda a Escritura aponta para Jesus.
Respire fundo, feche os olhos por um instante e reze comigo agora esta oração com fé.
Salmo 46 (45 na Vulgata) — Bíblia da CNBB
2. Deus é para nós refúgio e força, defensor poderoso no perigo. 3. Por isso não temos medo se a terra treme, se os montes desmoronam no fundo do mar. 6. Nela Deus está: não poderá vacilar, Deus vai socorrê-la, antes que amanheça. 8. O Senhor dos exércitos está conosco, nosso refúgio é o Deus de Jacó. 11. «Parai! Sabei que eu sou Deus, excelso entre as nações, excelso sobre a terra.»
Texto da Tradução Oficial da CNBB (Bíblia CNBB), usada na liturgia da Igreja no Brasil — o Salmo 45(46) do Lecionário. Na Bíblia da CNBB, que segue a numeração hebraica, é o Salmo 46. Nesta edição, o versículo 1 é o título; o poema começa no 2. Reproduzimos 2-3, 6, 8 e 11: refúgio, presença e o convite a parar e reconhecer que Deus é Deus.
Como rezar o Salmo 46
- Faça o sinal da cruz. Leia os versículos devagar, em voz baixa, como quem escuta o Senhor — não como quem recita um texto para obter um efeito por si só.
- Nomeie o que treme. Diga ao Pai, com palavras simples, o que abala hoje: a saúde, o filho, a conta, o medo. Fique um instante em silêncio.
- Peça refúgio, não a fórmula. «Deus é para nós refúgio e força.» Peça a graça de confiar. Não peça que a Palavra funcione sozinha. Peça presença.
- Pare e reconheça. «Parai! Sabei que eu sou Deus.» Um minuto sem pressa. Deixe Deus ser Deus. A perseverança nasce de um horário pequeno, repetido quando o medo voltar.
- Termine com o Glória ao Pai. Como a Igreja faz ao rezar os salmos: a Palavra volta ao céu em louvor. Em nome de Jesus, Amém.
Compartilhe esta oração no WhatsApp da sua família ou com alguém que precisa disso hoje.
Para continuar nesta Palavra de confiança, no refúgio de Deus:

