Há uma noite em que o sono não vem. Amanhã, ou daqui a poucos dias, o corpo entra no centro cirúrgico. O exame, o jejum, a sala fria, o papel assinado — e o medo, que não pede licença.
Meu irmão, minha irmã: esse medo não é falta de fé. É o coração diante do que não controla. A oração não cancela o risco nem substitui o médico. Ela entrega o procedimento e o medo à misericórdia do Pai.
O sentido desta oração: Unção, medicina e graça
A fé católica não pede que a pessoa finja coragem. Jesus, no Getsêmani, sentiu angústia e rezou. A súplica sincera apresenta a Deus a cirurgia e o medo que a acompanha.
O apóstolo Tiago ensina a Igreja a rezar pelos enfermos. Na Bíblia CNBB, o sentido é este: quem está doente chame os presbíteros da Igreja, para que rezem e o unjam com óleo em nome do Senhor (cf. Tg 5,14-15). A Igreja acolhe essa palavra no sacramento da Unção dos enfermos.
É preciso dizer com clareza, querido leitor: a Unção não é só para o fim da vida. O Catecismo da Igreja Católica (n. 1514-1515) afirma que este sacramento não se reserva aos que estão prestes a morrer. É conveniente recebê-lo antes de uma operação cirúrgica importante. Não é «última unção» no sentido popular de despedida. É sacramento de consolação, de perdão e de força, administrado pelo sacerdote.
A oração que fazemos em casa não substitui o sacramento, nem o tratamento, nem a cirurgia. Complementa. Pedimos a graça de Deus; confiamos o resultado à Divina Providência. Deus pode conceder êxito ao procedimento; pode dar alívio; pode dar a paz que sustenta no meio da prova. Em nenhum caso a fé católica promete um desfecho sob medida, nem a ausência de risco. A graça é dom. A oração sincera dispõe o coração a receber; a perseverança sustenta o pedido.
A Escritura honra o médico. Na Bíblia Ave Maria lemos: «Honra o médico por causa da necessidade, pois foi o Altíssimo quem o criou» (Eclo 38,1). O sentido do capítulo é claro: dê lugar ao médico, porque sua arte é necessária (cf. Eclo 38,12). Médicos, enfermeiros e o bloco são instrumentos da Divina Providência. Rezar e tratar não se opõem.
Se for possível, antes da cirurgia, procure a Confissão e a Santa Missa. Receba a Eucaristia. Peça ao pároco a Unção, se a intervenção for importante. A família também pode rezar: na véspera, na sala de espera, no silêncio da madrugada. A intercessão dos que amam é súplica da Igreja, não um gesto que determina o êxito.
São Paulo pede que apresentemos a Deus, em orações e súplicas, os nossos pedidos, acompanhados de ação de graças (Fl 4,6; Bíblia CNBB). Apresentar o pedido. Confiar o medo. A paz que Jesus dá não é a paz do mundo — não é a ausência de risco. É a confiança na vontade do Pai.

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Maria Santíssima, Saúde dos Enfermos, apresenta ao Filho quem entra no bloco e quem espera do lado de fora. Nós não a adoramos: a adoração pertence somente a Deus. Pedimos a sua intercessão maternal.
Respire fundo, feche os olhos por um instante e reze comigo agora esta oração com fé.
Oração para uma cirurgia
Senhor Jesus, médico das almas e dos corpos, hoje vos entrego este procedimento e o medo que o acompanha. Vós que conhecestes a angústia no Getsêmani, olhai com misericórdia para este corpo e para este coração inquieto. Dai, segundo a vontade do Pai, a graça de um procedimento bem conduzido, mãos firmes aos que operam e paz a quem espera. Não vos peço um desfecho sob medida. Peço a bênção sobre o que a medicina fará e a coragem de confiar na Divina Providência. Se for da vossa vontade, restabelecei o corpo. Se o caminho for outro, dai a paz que o mundo não pode dar. Maria, Saúde dos Enfermos, pela vossa mediação maternal, apresentai ao Filho este pedido. Jesus, eu confio em Vós. Amém.
Como rezar esta oração
Não há pressa, meu irmão, minha irmã. A oração sincera pede presença, não volume de palavras.
- Faça o sinal da cruz. Se puder, fique em silêncio por um instante. Não é rito para obter efeito: é atenção.
- Nomeie diante de Deus o procedimento e o medo. Entregue os dois. Confie cada detalhe à misericórdia do Pai.
- Reze devagar o texto acima. Se quiser, um Pai-Nosso e uma Ave-Maria. A família pode rezar junto, na véspera ou na sala de espera.
- Se a cirurgia for importante, fale com o pároco sobre a Unção dos enfermos, a Confissão e a Missa, se for possível. O sacramento fortalece e consola. Não espere «só o fim».
- Persevere. Voltar a rezar no dia seguinte não é teimosia: é fé. Acompanhe o tratamento e não abandone o cuidado médico.
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